
Circo: Decadências e Adaptações
Religiosidade e política
Na antiguidade, as práticas circenses tinham um caráter religioso. Já na atualidade, as apresentações passaram a visar o lucro, a arte como forma de sobreviver, era laica e comercial. Na Roma antiga, os jogos eram um símbolo de reconciliação com os deuses.
O cristianismo colocava gladiadores, que nem sempre eram simples pessoas condenadas à morte, nem fracos dignos de pena, como são retratados na maioria dos filmes, para lutar e entreter a população. Eles eram, antes de serem prisioneiros, atletas acostumados a se arriscar na arena e com a coragem necessária para enfrentar as lutas e animar o público.
A arena também era local de apostas e as histórias movimentavam a cidade, principalmente com os comentários sobre os combates e a torcida. O interesse popular fez com que os políticos prestassem atenção e começassem a gerenciar e a incentivar as lutas e jogos. Com o uso do espaço pelas práticas de luta, os artistas migraram para a rua.
Durante séculos os artistas mambembes e saltimbancos exibiram seus truques, habilidades e malabarismos em feiras populares, praças públicas e entradas de igrejas. Na Idade Média (500 d.C. – 1500 d.C.), muitos artistas tinham lugares nos palácios reais, como bobos da corte e mágicos. Estes últimos tinham como função, além do entretenimento, a orientação sobre o futuro e nas decisões importantes que poderiam ser tomadas. Houve um período em que mágicos e malabaristas eram considerados bruxos e eram queimados vivos.
Apesar de tem o objetivo de entreter, em Roma, as apresentações dos gladiadores e a competição eram mais próximas do esporte do que da arte, se diferenciando do circo atual que valoriza as habilidades físicas como forma de arte sem competitividade.
A semelhança com o circo atual são as atividades que se aproximam da morte. O medo, a ansiedade, o risco fazem parte do espetáculo, antes pela forma violenta no combate e atualmente com o desafio do artista de superar seus limites, colocando em perigo sua vida e a de companheiros. O acrobata que pode cair, o pirofagista se queimar, o motoqueiro se chocar. O risco é o que atrai a atenção do público que espera o inusitado.