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Primeiro Circo de picadeiro

 

       Apesar das artes circenses surgirem em diferentes lugares do mundo e ser impossível datar quando foi exatamente que o Circo surgiu, a história marca o início dele, no formato mais próximo do que é hoje, no século 18 na Inglaterra. A maior atração deste espetáculo era o cavalo e o que os cavaleiros podiam fazer em cima deles e ficou conhecido “Astley e o circo de cavalinhos”.

       Apesar do cavalo ter sido atração também no Circo Romano, o formato antes era de disputas, relacionado à guerra, à religião. Já no Circo de Astley, ou o circo moderno, o cavalo tinha uma ligação com o militarismo, onde a principal característica era o status social. O foco passa a ser a habilidade do cavaleiro no adestramento e não a força do cavalo.

       Philip Astley era ex-oficial da cavalaria inglesa e, após ser desligado da corporação, se uniu com amigos para apresentar atividades equestres em um lugar fechado, onde a entrada do público era cobrada.

       A proximidade como circo atual veio também pelo formato circular onde eram feitas as apresentações. O ex-oficial, conhecedor da teoria da física, percebeu que uma arena circular, que foi chamado de picadeiro, faria com que os cavaleiros tivessem mais controle e equilíbrio nos cavalos, devido à força centrífuga. O palco se assemelhava ao teatro de ópera, com plateia e camarotes, porém com outro formato.

       As apresentações também lembravam muito um quartel: os uniformes, o rufar dos tambores, as vozes de comando para a execução dos números de risco. O próprio Astley dirigia e apresentava o espetáculo, criando assim, a figura do mestre de cerimônias.

       Apesar de ter começado sendo uma apresentação para elite, o sucesso se deu pela presença dos burgueses, que tentavam uma ascensão social, pois tinham dinheiro, mas não tinham o status de elite. Eles assistiam as apresentações em uma tentativa de se aproximar da ‘nata’.

       Depois de um tempo, o circo equestre se tornou rotineiro e não satisfazia mais o público. O circo então precisou incrementar as apresentações com outras atividades, inserindo os “saltimbancos” no espetáculo. O grupo era errante, produzia arte popular, eram artistas de rua e se apresentavam em qualquer lugar. A presença deles neste espetáculo burguês acabou sendo contraditório, mas deu certo. Com os saltimbancos foram acrescentados ao circo outras atrações como equilibristas, saltadores, malabaristas e palhaços.

       Os ex-oficiais e os artistas se uniram e o picadeiro incorporou as atividades conhecidas como circenses e se tornou algo muito próximo do que era no século 20, com trapezistas, palhaços, animais adestrados. Ao longo dos anos as artes se diversificaram, trocaram experiências, mudaram conforme as culturas e lugares, mas o incomum continua sendo o que chama a atenção, os animais nunca vistos ou da forma como nunca foram vistos, as pessoas que se contorciam, pessoas fora do comum, altas, baixas, engraçadas, fora da realidade.

 

Trabalho de conclusão de curso desenvolvido pela aluna Renata Marconi Polonio, sob orientação da Profª Dra. Angela Maria Grossi de Carvalho, para obtenção do título de bacharel em Comunicação Social - Jornalismo da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho"

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