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De jornalistas a artistas

 

       Fugir com o circo é seguir a lona e o picadeiro, não ter residência fixa, viver viajando, e foi isto que os amigos Rômulo e Naele escolheram para sua vida quando decidiram fugir para o circo.

       A dupla é jornalista de formação, mas palhaços de coração. Eles estudaram, trabalharam na área, mas não foi na profissão sonhada a vida toda que eles se realizaram. Na verdade, foi na fuga de uma realidade que eles não conseguiram se adaptar, que eles conheceram a arte circense, a arte de fazer rir.

       Os jornalistas começaram a fazer aula de artes circenses para se distrair do dia cansativo do trabalho. E foi assim que Naele e Romulo viraram Fulana e Melão, os palhaços.

     Os dois resolveram unir seus vários gostos: jornalismo, arte e educação ambiental para ensinar as crianças. Nos espetáculos, eles usam materiais recicláveis como brinquedos, de uma forma muito criativa, que encanta até mesmo quem não é mais tão criança.

       Rômulo, é um baiano de 30 anos, e Naele, também de 30 anos, nasceu em Dracena (SP). Eles foram subeditor e editora, respectivamente, de uma revista de arquitetura em São Paulo e por causa de problemas de classe sociais e da vida estressante, ficaram cansados. Para desestressar e perder a timidez, que atualmente não é percebida em nenhum dos dois, eles resolveram fazer um curso de clown, ou seja, de palhaço. Foi então, que os dois liberaram toda a imaginação que estava guardada.

     Durante um ano de oficinas, os amigos se identificaram com a figura do palhaço, por ser o que precisavam no momento, uma imagem transformadora. A figura de protestos, rebelde, que muda os status quo, que tem a permissão para mudar as situações e que muitas vezes expõe o “ridículo”, foi o estopim que faltava na vida dos jornalistas.

        E então eles uniram o “jornalista” que havia dentro deles, que queria mudar o mundo, e o clown, que consegue fazer isso de uma forma cômica, conseguindo chamar a atenção. Rômulo e Naele já não se identificavam mais com o trabalho na editora e a atuação como palhaço amenizou a frustração da escolha da profissão.

       Apesar da indecisão no início da escolha, a gratificação veio quando eles perceberam que o trabalho podia dar certo. “Conseguir da criança uma ação é muito gratificante”, afirma Romulo, que completa “Trabalhar com a imaginação, a lógica, a criação é surpreendente.”

       Para os pais dos novos palhaços também foi difícil aceitar que os filhos, antes jornalistas, formados, seriam agora artistas, palhaços. Apesar disso, a escolha foi apoiada. Entre várias dificuldades na vida de artista, uma delas é o preconceito. “As pessoas acham que ser palhaço é menos”, segundo a dupla. Mas para quem vive de arte circense, o trabalho e o prazer com isso é o mesmo que qualquer outra profissão que se tenha escolhido.

        Dentro das famílias circenses, que estão habituadas com esta realidade, há uma inversão de valores. As crianças se acostumam com esta vida e não entendem que a vida de trabalhadores que o resto do mundo esta acostumada, é o considerado comum. O que é certo? Os artistas tem um estilo diferente, talvez mais difícil de sustentar, mas a felicidade é vista no sorriso de todos.

       O Quintal de Fulana e Melão, montado pela dupla, é um circo contemporâneo, moderno e clássico. E leva, mesmo sem a lona, a alegria dos palhaços para crianças, jovens e adultos de todos os lugares.

 

Trabalho de conclusão de curso desenvolvido pela aluna Renata Marconi Polonio, sob orientação da Profª Dra. Angela Maria Grossi de Carvalho, para obtenção do título de bacharel em Comunicação Social - Jornalismo da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho"

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